Sábado, Novembro 25, 2006
Minha amiga Luana e eu, dois malucos que vivem rindo de tudo e de todos, resolvemos executar a arte do deboche na blogosfera. Criamos o Auto Estorvo, com doses destiladas do nosso humor, do nosso mal humor, da nossa sátira e da nossa extrema arrogância em pensar que nada nos escapa.
Declaro o Pastim temporariamente extinto. Ele continuará aqui, quem sabe um dia eu o retomo, o tiro da posse das velhas moscas.
Meu novo endereço então - Clique Aqui
Sexta-feira, Fevereiro 24, 2006
O pastim mudou de endereço -
Agora, ele se encontra Aqui
Ou Aqui
Ou Aqui
O Pastim, Pasta Porém não Rumina
Vão Vão !
Sábado, Dezembro 31, 2005
Adeus Ano Velho
Tiago Buckowsky
O decorrer de 2005 foi agitado, lotado de altos e baixos: foi meu primeiro ano casado, trabalhei em cadeia, perdi o emprego, fui perseguido por bandidos, fiquei escondido na casa de um amigo, tornei-me bacharel, me mudei de Londrina para Paranaguá e estou desempregado, procurando emprego e tomando cerveja na praia.
Depois eu descrevo tudo aqui, com detalhes. Por enquanto, fiquem com minhas fotografias em Outros Olhares.
Quarta-feira, Novembro 09, 2005
Pérolas no ENAD
Fui fazer a prova do ENAD, ou o chamado provão do MEC. Palhaçada geral. Alguns alunos gritando na porta do colégio contra a prova, fazendo aquela pose de rebelde sem causa. Ninguém dava ouvidos. Eu também não concordo com a obrigatoriedade de fazer esta prova, mas acredito que gritaria doendo os ouvidos não leva a nada, a não ser à consulta ao fonoaudiólogo no dia seguinte, devido à rouquidão. Minha maneira de boicotar a bendita prova é mais pacífica e menos barulhenta. Usei do bom humor para responder às questões discursivas do provão. Se depender de mim, o curso de história da UEL não terá nota A.
Questão:
Os historiadores estão condenados a reescrever continuamente a História. Quando, com relação a um determinado tema e/ou período histórico, impõe-se uma nova abordagem, um novo paradigma se constitui até ser, por sua vez, contestado por outro, e assim sucessivamente.
a) Comente a afirmação acima:
b) Exemplifique com a história e a historiografia do Brasil:
Minha Resposta: Baseado nas canções de João, o astro pop anão, e na teoria estética da retórica amadurecida de Tonico e Tinoco, acredito que a História, escrita e reescrita, é passível de plausibilidade mútua entre a espacialidade do tempero e a temporalidade geral de três minutos do macarrão instantâneo.
Fiz toda a prova nesta concepção historiográfica. O corretor, se não for ranzinza, vai pelo menos esquecer por alguns minutos que sua mulher é frígida rindo um pouco com isto. Ou não...
Quinta-feira, Novembro 03, 2005
Inconformismo
- O Rei está Nú ! - diria um menino ao verificar a condição do Rei, em seus trajes inexistentes que apenas os sábios poderiam visualizar.
Inocência infantil ? Não. Inconformismo. O menino se recusava a agir em silêncio, como os outros populares que temiam passar por tolos.
Inconformado estou. Recuso-me a adequar-se as concessões do momento. Basta olhar para o Rei e verificar sua nudez. Não é preciso dizer o motivo...
Quinta-feira, Outubro 27, 2005
Função de um Poeta
composto em 09/05/2005
foto - Tiago Buckowsky
Imagem do manuscrito, no dia em que foi produzido o poema.
Viver a ostentar a máscara fajuta
sujeito a banhar de voz à quem não escuta
sorver de uma dor antiga e assanhada
sonhar o amor da virgem mal-amada.
Viver do poema ainda não escrito
atrito não dito no rito infinito
misturar os versos no sangue da luta
ter na noiva casta uma devassa puta.
Silenciar carinhos de uma mão faminta
recusar o berro da garganta extinta
corromper os hinos, queimar as bandeiras
dar valor supremo ao que chamam besteiras.
Eleger as palavras no léxico caos
execrar uma sobra, consoante ou vogal
ecoar no silêncio que embosca o viril
confrontar o complexo ao extremo sutil,
Quarta-feira, Outubro 26, 2005
Uma Nova Empreitada
Voltando do trabalho, andando pela Av. Quintino Bocaiúva, as várias linhas do pensamento emaranhadas foram desenrolando-se até atingirem sua forma linear. Uma idéia. Uma imagem formou-se nitidamente: a concepção de um blog de entrevistas com autores que pretendem publicar seus muitos ensaios.
Poetas, cronistas, contistas, chargistas, músicos, fotógrafos, humoristas... Artistas que produzem ininterruptamente, com muita persistência, e têm a internet como único meio de divulgação de sua obra.
Apenas uma minoria destes conseguiu com que a obra publicada no formato de blog se transformasse em livro. Apresento-lhes então o Talk Show Blog
.
Quinta-feira, Outubro 06, 2005
Já Disse: Gostei, Linkey
Imagem de Foureyes - Supernatural
Deito-me na areia
de olhos fechados
e espero pacientemente tuas ondas
Há de cobrir-me o corpo
Há de realizar-me os desejos
Há de beijar-me a boca
Há de matar-me de amor
Adoro poemas introspectivos, reveladores da intimidade, da essência, da dor ou de seu inverso chegando ao limite do insuportável. Poemas assim são transparentes, te levam com facilidade ao sentimento que ele emana, mesmo sendo pessoal. Talvez esta pessoalidade, a quebra da intimidade do eu-lírico crie esta contradição que se deixa perceber um sentido oculto. Ótimos poemas são escritos e mesclados com imagens por Claudia Perotti no Meias Intimidades. O poema acima e a imagem foram retirados do Meias Intimidades. O que você está esperando para visitar o Meias Intimidades? Clica logo nesses links aí em cima para ir para o Meias Intimidades, ou então você pode clicar aqui, aqui, aqui ou aqui.
Quarta-feira, Outubro 05, 2005
Quando a Crônica Vem da Música
As Vitrines (Chico Buarque)
Eu te vejo sumir por aí
Te avisei que a cidade era um vão
Dá tua mão, olha prá mim
Não faz assim, não vá lá, não
Os letreiros a te colorir
Embaraçam a minha visão
Eu te vi suspirar de aflição
E sair da sessão frouxa de rir
Já te vejo brincando gostando de ser
Tua sombra se multiplicar
Nos teus olhos também posso ver
As vitrines te vendo passar
Na galeria, cada clarão
É como um dia depois de outro dia
Abrindo o salão
Passas em exposição
Passas sem ver teu vigia
Catando a poesia
Que entornas no chão
Já te vejo brincando gostando de ser
Tua sombra se multiplicar
Nos teus olhos também posso ver
As vitrines te vendo passar
Na galeria, cada clarão
É como um dia depois de outro dia
Abrindo o salão
Passas em exposição
Passas sem ver teu vigia
Catando a poesia
Que entornas no chão
Naquele mini-shopping do centro da cidade, ela costumava transitar. Linda, os olhos azuis repletos de mistério causavam no pobre Vigia do estabelecimento uma admiração profunda, mais por enternecimento pelo seu ar triste e solitário que pela atração física. Dela, ele nada sabia a não ser que por ali passava sempre naquele mesmo horário, com passos curtos, vagarosos e tímidos, diariamente muito bem vestida e olhar firme. Algumas raras vezes, freqüentava o cinema daquele local, nunca acompanhada. Geralmente, usava o corredor daquele mini-shopping como uma travessia, um atalho. Era a impressão que o guarda, daquela mulher, guardava para si. Nunca ousou interferir seu caminho para fazer pergunta, nunca procurou saber nenhum outro detalhe de sua vida. Tudo o que ele sabia era que por ali ela passava, às vezes ia ao cinema e saia rindo da sessão. Não precisava saber nada além disso, pois já se apaixonara por aquela mulher, aparentemente muito mais jovem que ele. Qualquer informação que pudesse ser acrescentada sobre a tal poderia destruir o encanto que em seu imaginário estava idealizado. Para o vigia do mini-shopping, ela era intocável. Os passos lentos que ela cadenciava pela galeria eram iluminados pelas vitrines das lojas. Com os olhos, ele apenas acompanhava sua trajetória. Aquele corredor era como uma cidade e suas calçadas eram as vitrines onde poderiam se encontrar expostos vários utensílios - de ferramentas a cosméticos rejuvenescedores. Naquele vão, espremida entre uma e outra loja, sua musa era a única personagem. Cada luminária do corredor parecia a contagem de um tempo mágico, um dia seguido do outro. Ela atravessava estes dias sem que pudesse notá-lo. Ele a seguia discretamente, somando-se às sombras produzidas pelas luzes - das vitrines, das luminárias, dos letreiros - recolhendo, absorto, toda esta poesia que ela entornava por seu caminho.
Sexta-feira, Setembro 30, 2005
Não Vou Na Sua Casa
Caro Valmor
Mando-lhe esta carta em agradecimento ao convite de jantar que será oferecido em sua residência no próximo sábado. Sabendo que nossas pequenas reuniões são sempre muito divertidas, penalizo-me através da ausência. Peço antecipadamente para que não telefone insistindo, sabendo de antemão que não irei. Conversei com a Amelinha e com o Valfredo, afim de saber se eles aceitaram o convite. Fique tranqüilo, pois ambos comparecerão ao seu domicílio. Me ausentarei, com enorme angústia, por estar ressabiado com Bianca, sua estimada patroa.
Nas duas ultimas vezes em que estivemos por aí, Bianca não achou a menor graça termos entrado na bebedeira em companhia da Zulmira, sua empregada. Todos rimos muito quando escorreguei, bêbado, no tapete do corredor e desci rolando pela escada, quebrando o vaso originário de uma dessas dinastias chinesas que enfeitava a mesa em frente. Gargalhamos energicamente com sua imitação de Cauby Peixoto sobre a estante da sala, derramando a garrafa de uísque e cantando – “Conceição, eu me lembro muito bem”. A Amelinha, pendurada na cortina, imitando um cacho de uvas prestes a ser comido por uma raposa estava um amor. Fui notando os olhos de Bianca enquanto o Valfredo, após abrir o armário de roupas, apoderou-se de suas roupas de praia, vestiu, e saiu cantarolando “Chiquita Bacana” pela varanda. O maiô dela lhe caiu como uma luva. Eu fiquei uma graça de cinta e sutiã, mas Bianca não esboçou um sorriso. Brigitte Bardot ficou no chinelo após a Amelinha, com um decote generoso e cheia de chiliques, cantar e dançar sobre a mesa de jantar. Você dizia que aquilo não era nada, que estávamos todos nos divertindo. Como bom amigo, deixo-lhe um conselho: acho bom você prestar atenção na sua mulher. Tive uma ligeira impressão de ver a Bianca um pouco zangada.
Tudo bem que manchamos a parede, melecamos o chão, estragamos o estofado do sofá, queimamos a geladeira, acabamos com as bebidas. Tudo bem que o cachorrinho pequinês não consiga mais andar depois que eu inventei de o jogarmos de pára-quedas da sacada. Como eu ia adivinhar que não funcionaria?
Reconheço que não foi boa idéia dar vodca pro papagaio e muito menos conveniente usar a urna com as cinzas da sua sogra de cinzeiro. Mas só fiz isso pra deixar de queimar o sofá. Sua patroa poderia ser um pouco mais compreensiva. Apesar de boa pessoa, acho que falta a ela um pouco de senso de humor.
Quarta-feira, Setembro 28, 2005
A BOA E VELHA POLÌTICA
Gostei, linkei. Não é de hoje que meu amigo Éder deveria estar linkado ali ao lado. O cara escreve muito bem e acaba tirando o leitor do sério com suas inquietações. O Feladaputa entende desse negócio de contar causo. Deliciem-se com textos como "O Fígado de Astor" e "Sociologia Bloggistica".
Terça-feira, Setembro 27, 2005
Novas Atividades
Este pobre contador de causos que vos fala também se dedica agora a uma nova atividade: a fotografia. A foto acima foi tirada no Terminal Urbano de Londrina-PR. O P&B é obra do Photoshop.
EIS QUE ESTE BLOG RESSURGE DAS CINZAS, DEPOIS DE MESES ABANDONADO NO OSTRACISMO ELETRÔNICO. NÃO HÁ MUDANÇA DE TEMPLATE E NEM REFORMULAÇÃO ESTÉTICA. A ÚNICA NOVIDADE SÃO OS ARQUIVOS, AGORA DISPONÍVEIS. E O VELHO HUMOR SARCÁSTICO DE TODO DIA.
Sábado, Maio 07, 2005
Estamos trabalhando para melhorar tudo neste blog.
Brevemente, o novo Pastim estará no ar.
"Ou afogado no fundo do poço"
Brincadeira...
Sexta-feira, Janeiro 21, 2005
Ninfeta de Bob Esponja
Bob Esponja é flagrado, mais uma vez, pela equipe do pastim num solavanco linguarudo com sua ninfetinha manhosa.
Quarta-feira, Janeiro 19, 2005
Olhos de Beatriz
Se um dia
Uma estrela no céu
Se apagar,
Falta não fará
Ponho seu olhos azuis
no lugar
pra iluminar.
Nesse dia
Minha canção esgotará
Usada em todo amor
Que aos olhos seus vou cantar.
Olhos de Beatriz
Miram-me em cheio
não por um triz.
Fazem de mim
dos homens, o mais feliz
destino do azul
dos olhos de quem me quis.
Sexta-feira, Janeiro 14, 2005
QUEM SABE UM DIA
Sei que este Blog está abandonado a algum tempo. E vontade de escrever não me falta. O que falta é tempo. Então o Pastim fica, por tempo indeterminado, sem atualizações. Mas um dia ele volta novamente, para infelicidade de quem gosta da língua portuguesa.
Até mais...
Sábado, Novembro 27, 2004
Eu Recomendo
Domingo, Novembro 21, 2004
Classificados
Alugo casa pequena
para dois habitantes
apenas eu
e minha morena...
Sexta-feira, Outubro 29, 2004
Escambo (Buckowsky&Martins)
Essa é uma das músicas da minha peça Papai Morreu!. A música, como sempre, composta pelo meu parceiro Fernando Martins.
Mulher
Ganhei um colar, uma bolsa de verniz
Tenho pares de sapatos, ganho um e peço bis
Ganhei pulseira, um vestido de organzim
Anel de ouro, ele trás tudo pra mim.
Homem
Ganhei atenção, da mulher que sempre amei
Desilusão que em vida não pensei
Carinhos tive, dando produtos em troca
Ao amor que me custou uma boa nota
Mulher
Ganhei de Natal a redução dos quadris
Flores frescas bem colhidas em tempos primaveris
Sou sua esposa, nunca fui uma meretriz
Ambos
Apenas tenho porque dei o que ele(a) quis.
Apenas tenho porque dei o que ele(a) quis.
Sábado, Outubro 23, 2004
Finalmente Habilitado
Detalhe: eu não comprei a carteira...
Nosso Chaveiro
Quarta-feira, Outubro 20, 2004
Acalanto (Para Beatriz)
Acordo, é de manhã
e vejo-te a dormir
fico a lhe acalentar
sei eu que sou feliz.
Levanto devagar
meu anjo à dormir
preparo seu café
e vou me despedir.
Um beijo, um carinho
abraço-te ao sair
sabendo que uma força
vem para mim, de ti.
A flor do tempo cresce
renasce o meu clamor
faz do acalanto a prece
que embala nosso amor.
Segunda-feira, Outubro 18, 2004
Por Que é Que a Minissérie Tinha Esse Nome ?
Martim: Coração, queria te pedir uma coisa.
Yolanda: Diga paixão. faço tudo o que quiser. Nosso amor é mais forte que qualquer coisa.
Martim: Mas, tenho vergonha de falar isso pra você.
Yolanda: Deixe de frescura. Diga logo o que quer, seu puto.
Martim: Hum... É que... Tipo... ah...
Yolanda: Fala logo, caralho !
Martim: Me faz um boquete ?
Yolanda: Ora. Me respeite seu merdinha !
Martim: Faz, coração. Por favoz, Faz? Eu nunca mais te peço nada.
Yolanda: Não faço, não faço e não faço. Nã na ni na não.
Martim: Ora, coração. Me faz um boquete, vai ? UM SÓ, CORAÇÃO
Sábado, Outubro 16, 2004
Como Matar o tempo no Trabalho
Basta um pedaço de papel, uma caneta e um Scanner....
Não se esqueça de nunca passar o endereço do blog para o chefe...
Quinta-feira, Outubro 14, 2004
Cartão de Visitas
Estou precisando de dinheiro. Se precisarem da História, o telefone está aí....
Liguem
Quinta-feira, Setembro 30, 2004
Saudades de Um Coração
Para minha Beatriz
Hoje meu coração acordou com dor nas costas, por ter dormido de mal jeito. Porém, ao olhar ao lado a tal dona dos lindos olhos azuis, a dor foi esquecida por um momento. Meu coração a abraçou de leve, sem querer acordá-la, e beijou-a suavemente. Ao sair do quarto, lembrou-se de que tinha costas, e elas doíam.
Então ele se preparou para mais um dia de trabalho. Pegou o ônibus e ficou o tempo todo pensando naquele outro coração que também deveria estar indo para a labuta diária. Não trabalhou com a mesma eficiência costumeira por causa das dores que, ainda agora, o atormentam até o limite do insuportável. Não teve um dia bom este meu pobre coração. Mas sabe que será recompensado:
Quando chegar à casa, pela noitinha, terá um bom encontro com o coração da tal Morena dos Olhos D'água. O desfrute deste pobre coração leviano será revigorante. Não apenas para suas costas doídas. Mas também, para sua essência particular que faz com que esse coração leviano a cada minuto ame mais aquele outro, também cansado de seu dia que, com certeza, foi muito difícil.
Quinta-feira, Setembro 23, 2004
LIBERTEM-SE
A arte é libertadora. Música, literatura, teatro, dança, pintura, história, assoviar e chupar cana, enfiar o dedo no nariz ao parar o carro em sinal vermelho...
Libertadora é sua essência na consciência social, do papel histórico de cada um de nós. Sendo assim, deixo duas dicas para a libertação. A primeira é o novo disco do R.E.M, que pode ser desfrutado integralmente neste endereço aqui.
A segunda é o maravilhoso livro de Cristovão Tezza, sobre um Historiador que se apaixona por uma diva do teatro. A história é contada pelo filho da personagem principal, também historiador, que tenta reconstruir o passado de seu pai através das cartas que foram enviadas à atriz. Uma Noite em Curitiba é, sem dúvida, uma obra que não deve passar despercebida por qualquer devorador de páginas. Libertem-se. Leiam o livro ouvindo R.E.M...
Segunda-feira, Setembro 06, 2004
FOI SEM VOCÊ
Buckowsky & Martins
O objetivo era fazer uma musiquinha romântica, num poema de solidão nostálgica. Mas objetivos percorrem caminhos nem sempre muito objetivos. Sentados na mesa da cozinha, tomando café e fumando feito loucos, meu parceiro de composição Fernando Martins e eu desvirtuamos o propósito original da canção. Virou um belíssimo poema sobre a solidão onanista. Uma ode à luta incessante de cinco contra um. Vez em quando não vale a pena ter bom humor.
Foi sem amor,
sem camisinha,
sem colchão
e sem lençol,
sem cobertor.
Foi sem amor,
foi sem você.
Foi sem paixão,
foi só tesão,
foi sem você.
Foi no banheiro,
foi tudo sem
Apenas eu
sem mais ninguém.
Terça-feira, Agosto 31, 2004
POLIGLOTA
De autoria de um cara de nome esquisito, um artista versátil que faz de tudo um pouco, da música à literatura: Um tal de Anônimo.
É verdade matemática
Que ninguém podi negá
Que essa história de gramática
Só serve pra atrapaiá
Inda vem língua estrangera
Ajudá a compricá
Meió nóis cabá cum isso
Pra todos podê falá
Na Ingraterra ouví dizê
Que um pé de sapato é xu
Desde logo já se vê
Dois pé de sapato é xuxu
Xuxu pra nois é legume
É verdade e não boato
O ingrês que lá se arrume
Mas nóis num come sapato
Ná Itália ouví dizê
Eu não sei porque razão
Que manteiga lá é burro
Lá se passa burro no pão
Desse jeito pra mim chega
Sarve o povo do sertão
Onde manteiga é manteiga
Nóis num come burro não
Na Argentina aprendi
Que lá saco é paletó
Lá se o gringo toma chuva
Tem que pô o saco no só
E se acaso o dito encóie
E a muié diz o pió :
Teu saco é muito pequeno
Vê se arranja um saco maió
Na América corpo é bódi
Veja que bódi vai dá
Conhecí uma americana
Doida pro bódi entregá
Fiquei meio atrapaiado
E disse pra me escapá
Oia moça eu não sou cabra
Chega seu bódi pra lá
No Chile cueca é dança
Pra se dançá e bailá
Lá se dança e baila cueca
Até a noite acabá
Mas se um dia um chileno
Vié pro Basil dançá
Tente mostrá a cueca
Pra vê onde vai pará
Uma gravata esquisita
Um certo francês me deu
Perguntei onde se bota
Acho que num entendeu
Me danei com a resposta
Isso é coisa eu que não faço
Seu francês mal educado
Mete a gravata no seu
Terça-feira, Agosto 24, 2004
CALENDÁRIO MENSTRUAL PARA MULHERES
- Buckowsky. Se o calendário é menstrual, meio óbvio que é destinado às mulheres.
- Pois é, eu também pensava assim. Mas dá uma olhada na imagem aí de cima. Minha esposa estava se cadastrando para fazer seu calendário menstrual, e pediram pra ela informar o sexo.
- Será que o calendário menstrual masculino difere muito do feminino?
- Depende do ciclo...
Sábado, Agosto 21, 2004
SOBRE A SEXUALIDADE DAS ESPONJAS
Outro dia vi num destes programas de televisão das tardes dos desocupados que o desocupado Stephen Hillenburg, autor do Bob Esponja, declarou que o personagem da animação que usa calças quadradas é gay. Se na vida real as esponjas são assexuadas, nos desenhos animados a discussão acerca de sua sexualidade está dando o que falar. Mas temos provas suficientes que desmentem os boatos. A equipe do Pastim flagrou Bob Esponja em plana ação com uma pequena ninfeta:
Bob xavecando a inocente menina...
Bob é visto aos beijos com a pequena...
Imagens de Bob e suas preliminares...
O namorado da moça não ficou satisfeito com a situação...
Quinta-feira, Julho 29, 2004
VÍCIO É FOGO
Quatro dias sem acesso à internet. Já estou quase abandonando os óculos - minha vista melhorou consideravelmente após o vencimento da conta de telefone. Mais dois dias de abstinência e perco minha mania fazer o gesto de quem aperta o ¿Enter¿ após cada frase pronunciada.
Hoje, após o horário de almoço, fui ao banco pegar o dinheiro para pagar a conta de telefone, já acrescida da tarifa de internet rápida. Havia pouca gente na fila do guichê, coisa de cinco minutos. Ficamos eu e Beatriz (minha mulher) na fila, fazendo piada da situação. Não entendo o motivo das pessoas ficarem nos observando com olhar de repreensão após eu tentar morder o calcanhar dela, rosnando com a língua de fora. Achei muita falta de senso de humor.
Conta paga, deixei a Bia na residência de uma de suas clientes e vim pra casa. Peguei o celular e liguei para o serviço de 0800, como sempre faço, para que pudessem liberar meu acesso. A voz de soprano rouca da gravação não era muito animadora:
- Bem vindo à Sercomtel. Para telefone fixo, tecle 2. Para telefone celular, tecle 3. Para Supervia Internet Rápida (quem dera), tecle 4, para falar com um de nossos atendentes, tecle 5.
Teclei o número 4.
- Nossos servidores estão todos ocupados no momento. Aguarde na linha para falar com um de nossos atendentes.
Uma música que rimava as vantagens de ser assinante Sercomtel, algo do tipo - ¿a tarifa é enviada no conforto do seu lar, pela via super-rápida fica fácil de pagar¿, tocava de fundo, até que alguém pudesse me atender:
- Atendente André, em que posso ajudar.
- Seguinte André. Eu acabei de pagar a conta, e gostaria de desbloquear o acesso à internet, pois preciso urgentemente da conexão (na verdade quero ver a charge de hoje do charges.com).
- Qual o número de telefone, senhor?
- 9999-9999
- Que número fácil de decorar, senhor! Infelizmente há um bloqueio no provedor, e você pode estar ligando no número 8888-8888.
- Também é fácil de decorar, André! Obrigado.
- Mais alguma coisa, senhor?
- Só uma perguntinha.
- Pois não.
- Você sempre fala no gerúndio ou só quando está trabalhando?
- Hã?!?
- Nada não. Obrigado.
- Estamos a disposição.
O número do provedor era de um telefone fixo comum. Não tinha como ligar do meu celular sem crédito. Munido do meu cartão telefônico, dirigi-me ao orelhão aqui da esquina. Acontece que o cartão foi engolido pelo orelhão. Não há santo que dali o tire. Talvez um técnico da companhia, como pude descobrir mais tarde, ligando novamente para o serviço de 0800:
- Bem vindo à Sercomtel... .
Apertei o cinco de cara, para falar com um dos atendentes. Ouvi a mesma música chata até que ouvi uma voz conhecida. Era o atendente André:
- Atendente André, em que posso ajudar.
- Coincidência André! Falei com você há pouco.
- Conseguiu resolver o problema com o provedor, senhor?
- Não rapaz. Eu vim ao orelhão ligar para o número que você me passou, e o cartão engoliu meu telefone, digo, o telefone engoliu meu cartão.
- Você está na Rua Araçatuba, 308?
- Exatamente
- Senhor, me passe seu endereço e número de telefone. Vamos estar mandando um técnico que vai estar retirando o cartão e dentro de 30 dias, ele estará sendo devolvido pelo correio.
- Não decorou o número? Tão fácil! Tudo bem André, obrigado.
- Só uma coisa, senhor! O que é gerúndio?
- Nada não, André. Esquece.
- Estamos a disposição.
Estou sem telefone, sem cartão telefônico. O Serviço de Atendimento ao cliente deixou a desejar. Pelo menos as empresas de telefonia criam empregos, pagando pessoas pra falar no gerúndio.
Algum técnico já deve ter retirado meu cartão do orelhão que fica aqui ao lado de casa. Porém, vou recebê-lo apenas em trinta dias. Que passeio! Mas não se preocupem. Se você estiver lendo esta crônica, é porque a internet aqui de casa voltou a funcionar. Ou então acabei indo a uma Lan House. Vício é fogo... .
*Obs* Meu cartão foi devolvido em menos de 2 horas.
Terça-feira, Julho 13, 2004
BRILHO DOS OLHOS
Ao vê-la daquela maneira em que estava deitada, nua, sem vida sobre os lençóis, começou a chorar. Olhou-a no fundo dos olhos ainda abertos, levantou-se e caminhou em direção ao banheiro. Suas mãos tremiam, e nelas sentia um calor absurdo que lhe queimava a pele dos dedos como se ele estivesse a segurar um pedaço de carvão em brasa. Abriu a torneira decidido a molhá-las, mas não o fez sem antes fixar seu olhar nos próprios olhos, da imagem de si mesmo no espelho. Diferente dos dela os seus ainda brilhavam. Talvez porque estivesse vivo, ou por ter a íris lubrificada pelas lágrimas.
A água escorria suave, da torneira para o ralo da pia. Sentiu aliviar o calor nas mãos que notou provir do sangue ainda quente da moça que em sua cama estava esfriando. A água límpida tinha sua beleza ao avermelhar-se na pia, o que o fez sorrir no canto da boca, por poucos segundos. Sentiu seus olhos numa irrequieta umectação. Dava risadas ao ver uma mistura, na pia, do sangue com a água, salpicada por um bocado de lágrimas. Esta combinação, uma miscelânea de choro e motejo, durou pouco.
Limpou os olhos com as costas da mão direita e foi cuidar da moça, inerte em seus olhos redondos sem brilho. Arrumou-lhe o cabelo curto e liso por trás da orelha, beijou-lhe a testa e deitou silencioso ao lado do corpo, admirando seu feitio de menina. Ao olhar novamente para os olhos da moça, começou a chorar outra vez. O pano úmido que servia para expurgar o sangue nos seios mordidos da moça também era usado como lenço de seu lamento, o que fazia com que seu rosto ficasse sordidamente rubro.
Era a primeira vez que tinha uma mulher nua em sua cama, e ela estava morta, por suas mãos, num impulso maculado de raiva e encanto. Não estava sentindo remorso ou arrependimento. Na sua cabeça, ela merecera cada uma das dezoito vezes em que sentiu a lâmina afiada de sua faca entrar e sair de seu ventre. Sentiu um deleite sexual no movimento frenético e contínuo de sua arma, que ejaculava sangue de um corpo escanzelado.
Acabado seu pranto, fechou-lhe olhos turvos e começou a beijá-la. Com a boca, tocou-lhe os seios, descendo para o ventre esburacado até chegar ao monte de curtos pêlos, emaranhados de sangue coagulado. Ali ficou por alguns minutos, até que resolveu penetrá-la...
.....................
Na sala escura do interrogatório, tudo o conseguia dizer aos policiais que o interrogavam era um poema, entrecortado por algumas lágrimas:
A saudade é uma Guerra
Entre a pálpebra e a lágrima.
A tristeza narra
A lágrima força
A pálpebra barra.
A Saudade é o momento
Trancado no escuro
Ouvindo o silêncio
Dessa grande batalha.
A lágrima vence
Quebra o muro
A saudade é a alma
De um homem em migalha.
As perguntas lhe eram feitas, tapas lhe ardiam na face e o poema continuava a ser repetido. Ninguém nunca soube o verdadeiro motivo que o levara a matar aquela mulher, como também nunca souberam o motivo de suas lágrimas. Nunca se arrependera de ter tirado a vida da moça. Chorava por ter saudades. Saudades do brilho que ele havia tirado dos olhos de uma mulher.
Quinta-feira, Junho 24, 2004
FURTARAM O FURTADO
Furtado- Como assim, roubado?
Freitas- É o que estou te falando. Seu carro foi roubado.
Furtado- Impossível. Olha a chave aqui comigo.
Freitas- ....
Furtado- Isso não pode estar acontecendo. Tirei ontem do concessionário.
Freitas- Mas aconteceu. Estou falando sério. Fui dar uma volta pra fumar e notei que onde era pra estar seu carro, tem um envelope endereçado à você. Olha Aqui:
Freitas entrega o envelope à Furtado. Cinzento, com o tamanho de uma carta-postal, nas costas do envelope podia se ler em letras garrafais:
Furtado abriu o envelope como uma criança que abre o presente de natal já sabendo o que vai ganhar:
Quer ter seu carro de volta? Apareça em 15 dias, às 22:47, na ponte do Lago da Cidade. Seu veículo estará intacto. Apenas o raptei para pintá-lo de azul. Odeio Amarelo.
Furtado- Eu gosto de amarelo, cacete! Eu paguei pelo carro.
Freitas começa a rir feito um louco. Furtado lhe pergunta, aos berros:
Furtado- Qualé a graça, Freitas? Um pouco de respeito conserva os dentes.
Freitas- Desculpe, rapaz ! É que amarelo, realmente. Teu carro era ridículo...
Terça-feira, Junho 22, 2004
DA SÉRIE BELEZA NA TRAGÉDIA...
Mais um dos meus poeminhas que riem da desgraça alheia. Isso até virou um belo sambinha no melhor estilo Paulo Vanzolini, nas mãos do parceiro e amigo Fernando Martins. Dia destes coloco a musica aqui...
Indigente
Sabia que era aquele
o homem que a entregou.
Seguiu o farsante
até a porta do metrô.
Sacou do bolso
um lenço amarrotado
no pescoço do outro
deixou seu ódio amarrado.
Correu pra rua
sem nenhuma direção
morreu atropelado
sem notar o caminhão.
Com ele não havia
identificação.
Quem seria o sujeito
esbugalhado no chão?
Não existia sinal,
hoje ainda trabalha
tem outro emprego afinal.
Como indigente
é a caveira do hospital...
Quinta-feira, Junho 17, 2004
A INVEJA É UMA MERDA
Eis que surge, das profundezas tristes da inveja, um comentário que poderia passar em branco, não fosse o bom humor que me ataca por acordar ao lado da mulher que eu amo. Um ser que diz ser Alguém. Alguém triste e invejoso por ter que acordar, em tempos frios, sem o calor costumeiro dos braços envolventes de uma mulher. Alguém que treme de medo. Medo de saber que nunca se sentirá amado. Alguém que desconhece o som da respiração quando ela deita ao seu colo, com sono. Desconhece o que é estar sentado, escrevendo, quando ela vem e te abraça, lê seu texto por cima do teu ombro, e pergunta o que está fazendo. Alguém que, por não ter ninguém, assim também se sente: um Ninguém...
Quarta-feira, Junho 09, 2004
A FELICIDADE TEM CABELOS DE HENNA E OS OLHOS D'ÁGUA.
Minha "Morena dos Olhos D'água" vai entender o motivo de hoje eu estar postando este poema de Péricles Cavalcanti que é maravilhosamente cantado pela Adriana Calcanhotto.
Aconteceu
Aconteceu quando a gente não esperava
Aconteceu sem um sino pra tocar
Aconteceu diferente das histórias
Que os romances e a memória
Têm costume de contar
Aconteceu sem que o chão tivesse estrelas
Aconteceu sem um raio de luar
O nosso amor foi chegando de mansinho
Se espalhou devagarinho
Foi ficando até ficar
Aconteceu sem que o mundo agradecesse
Sem que rosas florescessem
Sem um canto de louvor
Aconteceu sem que houvesse nenhum drama
Só o tempo fez a cama
Como em todo grande amor
TE AMO BEA !
Domingo, Junho 06, 2004
MORRAM DE INVEJA
Obrigadíssimo ao meu amigo e parceiro de composição - Fernando Martins - que me trouxe os três cdzinhos com tudo que o Chico Buarque gravou de 1966 até 1986. Tenho quase toda a obra do maior compositor deste país. Morram de Inveja...
Quarta-feira, Junho 02, 2004
BELEZA NA TRAGÉDIA
Luís Fernando Veríssimo escreveu uma série de poemas reunidos em Poesia Numa Hora Dessa. Eu crio aqui no Pastim a série Beleza Na Tragédia, onde escrevo poemas onde se vê a beleza ou o humor nas tragédias cotidianas. A idéia surgiu ao ouvir alguns sambas de Paulo Vanzolini, como Cravo Branco ou Notícia de Jornal, cantada pelo grande Chico Buarque de Holanda. O primeiro poema da série segue abaixo:
A Moça Nua
Ela tentou segurar
mas de nada adiantou
Caiu a lágrima
a última que restou.
Subiu a escada
chorando nua
Pulou do telhado
sangrando na rua.
Um outro passava
olhava e fingia
Que a tal da morta
não o conhecia.
Alguém apontou
o malandro na rua
Gritando bem alto
a culpa era sua.
Por descaso
mentira e traição
a pobre da moça
jazia nua no chão.
Terça-feira, Junho 01, 2004
VERSÁTIL É APELIDO...
Vocês estão vendo este desenho maravilhoso ?
- Claro né, Tiago, seu gordo burro. Mesmo se eu fosse cego, ainda não inventaram internet em Método Braile. Gordo idiota.
Calminha. As ofensas são desnecessárias. Pois bem. Minha amiga Pitty, além de escrever textos que me dão vontade de chorar de inveja, pela inequivalência de qualidade dos meus, ainda faz estes desenhos incríveis que me dão orgulho de ser um Xavier.
Pena que talento não vem pelo sobrenome. Humpt...
Sexta-feira, Maio 28, 2004
E A MÃE??? ALGUÉM QUER COMPRAR???
É difícil acreditar, mas o nosso moderno século XXI disponibiliza a venda de indugências pela internet. Um maluco leiloou o que diz ser uma Lasca da Cruz de Cristo. Mais inacreditável, é que teve um outro sujeito - ainda mais maluco - que levou o pedaço de pau pela bagatela de R$3.000,00 (três mil dinheiros brasileiros).
Eis a dúvida: será que o curso da história nos trouxe de volta a tempos onde o apego a objetos relacionados ao mundo mágico/religioso religa o homem ao divino?
Especulações capitalistas sobre a fé, devoção, piedade, crença, ou seja, tudo que é considerado como um dever sagrado no campo da religiosidade, hoje tomou formas diferentes das formas medievais. Temos igrejas que tiram o dinheiro de muita gente em "Nome do Senhor". Dessas com canal na televisão que expulsam o demônio no horário nobre:
- Qual seu nome?
O ator, com o corpo curvado e as mãos atrás do corpo, como se estivessem mesmo amarradas por uma corda imaginária, diz com uma voz parecida com a da garotinha Regan MacNeil, de O Exorcista:
- Exu Caveira.
- O que você vai fazer na vida desse rapaz?
- Vou zerar sua conta bancária. Farei ele bater o carro, perder a mulher, beber até cair e dançar pelado na embaixada americana.
O pastor, com um empurrão forte, joga a cabeça do suposto possuído para trás, fazendo-o cair no chão aos gritos de "sai desse corpo que não te pertence, Satanás. Volte para as profundezas mais medonhas do inferno". O rapaz levanta do chão com um galo na cabeça e uma má interpretação de "quem sou eu, onde estou??"
As formas de especulações atuais são outras. Exorcismo virou programa de televisão com platéia, onde o pastor é apresentador, cantor, ator e especulador da fé. Mas vejo que o capitalismo, esperto como é, conseguiu se apropiar de uma prática antiga - a venda de indugências - para manter sua soberania.
Com o frio que faz aqui em Londrina, talvez eu consiga por um preço muito suave a lã do casal de ovelhas que Noé levou na arca...
Segunda-feira, Maio 24, 2004
Prólogo
Sei que o blog anda às moscas, que não tenho escrito minhas crônicas com a mesma frequência. Acontece que estou me desgastando num musical em parceria com meu grande amigo - e virtuoso músico - Fernando Martins. As personagens da peça estão dominando e extraindo todo vigor contido em meu cérebro debilitado. Como se isso não fosse o bastante, as composições musicais exigem muito esforço. Deixo aqui o prólogo da peça, que não me deixa mentir.
Um homem morto é carregado numa rede amarrada pelas duas extremidades a uma tora de madeira conduzida por dois homens fortes. Um padre, logo atrás, entra cantando a prece Enquanto Deus Prouver:
Enquanto Deus prouver
Não roncará a barriga
Dos filhos da mulher.
Enquanto Deus prouver
Não tremerão de arrepios
Quando o inverno vier.
Enquanto Deus prouver
O rosto rubro ao chão
Será servido sem talher.
Será gasto e roído
Desfrutado e possuído
Enquanto se decompuser
Será gozado e carcomido
Enquanto Deus prouver.
O Morto se levanta, mas o padre continua a cantar olhando para a rede, como se o corpo ainda ali estivesse. O Padre canta a prece Enquanto Deus Prouver e o morto entra no meio da música cantando:
Enquanto Deus prouver
Roncará a barriga
Dos filhos e da mulher.
Enquanto Deus prouver
Tremerão de arrepios
Quando o inverno vier.
Enquanto Deus prouver
Meu rosto rubro aos céus
Será servido sem talher.
Não serei gasto e roído
Nem desfrutado e possuído
Enquanto se decompuser
Não serei carcomido
Enquanto Deus prouver.
Alguém Me Viu Por Aí ???
Alguém sem o mínimo equilíbrio mental básico para se viver entrou no Pastim, deu uma pastadinha e resolveu me colocar no Top 10 do site "Blogs Que Eu Ví". Do contrário, a pessoa tem muito senso de humor...
Sábado, Maio 22, 2004
2º ATO
Continuação do post "Antes da Ficha Cair", pelo meu desvairado amigo Éder.
Evaristo e Marinalva se encomtram na estação de Trem:
- Olá Evaristo, quanto tempo faz que não nos vemos?
- Não sei, quanto tempo faz que você me traiu?
- Cala a boca! Seu grosso!
- Não quer ouvir a verdade? Sua desequilibrada!
- Seis meses e sua estupidez não mudou nem um pouco!
- Viu como você sabia a resposta?
- Que resposta?
- De quanto tempo faz que não no víamos.
- Eu só queria puxar conversa.
- E acabou dando um escândalo.
- Você quem começou!
- Só falei a verdade, e abaixe o tom de sua voz!
- Vê se te enxerga!
- Falei ou não a verdade?
- Falou metade dela, esqueceu de dizer o porquê de minha traição.
- Porque eu fui ver o jogo do timão.
- Como odeio essa sua mania.
- Mas só por que eu ia toda quarta e domingo ver o timão, você precisava colocar um outro em meu lugar?
- Pois é, encontrei um palmeirense.
- Cala boca sua vaca!!!
- Corno!
- Vê se te enxerga.
- O que quer dizer com isso?
- Você acha mesmo que eu ia assistir ao Corinthians?
- Não?!!!
- Eu ia na casa da ritinha, e trepávamos ao som da voz do Galvão Bueno. Há! Há! Há!
- Da ritinha?!!! Minha melhor amiga?!!!
- A própria.
- Nossa Evaristo! Não sabia que era isso, por que você não me disse antes?
E os dois se entregam a um ardente beijo. O único problema para Evaristo seria fazer a Ritinha concordar com a mentira, Além da saudade que sentiria dos emocionantes prélios do Alvinegro Paulistano.
**************
Sexta-feira, Maio 21, 2004
A NOVA CARA DA MESMA MERDA
Mudança de template sempre dá um pouco de trabalho. Acontece que eu cansei do antigo, com aquele aspecto triste e ladrilhado de banheiro de rodoviária.
- Tiago, Tem papel no Pastim?
- Como?
- Aquele banheiro público do seu blog. Tem papel lá?
- Já viu banheiro público com papel disponível?
- Mas aqueles azulejos lembram-me o banheiro da rodoviária de Trololândia do Sul.
- Papel não tem, mas tem as merdas que eu escrevo.
- Faz sentido.
Agora essa joça anda !
Azulejos de banheiro do antigo template
Domingo, Maio 16, 2004
Cravo Branco
Paulo Vanzolini
Saiu de casa
num terno tropical
camisa creme
lenço e gravata igual.
Jantou e saiu
satisfeito
antes da meia noite
morreu com um tiro
no peito.
Ela lhe deu um cravo
o outro se ofendeu
ele olhou pro revólver
dava tempo e não correu.
Dobrou os joelhos
sambou no chão
dois olhos redondos
um cravo branco na mão.
Ai do pobre
caído no chão
de bruços no sangue
com o cravo branco na mão.
Quarta-feira, Maio 12, 2004
Antes da Ficha Cair
Pequena cena para teatro. Palco dividido em dois cenários. Ela em casa. Ele em algum telefone público:
Ela atende o telefone:
- Pronto!!!
Ele: Oi amor, quantas saudades...
Ela: Oi amor. Que barulho é esse?
Ele: Estou num orelhão. Tem um caminhão aqui ao lado.
Ela: Quase não ouço sua voz. Por quê não me ligou ontem?
Ele: Cadela desgraçada.
Ela: Isso é maneira de falar comigo? Que negócio é esse?
Ele: Não é com você amor.
Ela: Então o que é?
Ele: Uma cachorra mordendo meu sapato. Passa daqui. Passa !!
Ela: Entendo. Por quê não me ligou mais cedo?
Ele: Neste horário é mais barato.
Ela: Eu preciso dormir cedo hoje. Amanhã tenho o dia cheio.
Ele: Não quer falar comigo?
Ela: Não é isso, amor. Me liga amanhã. Hoje eu não estou podendo...
Ele: Cadela desgraçada.
Ela: A cachorra ainda está aí?
Ele: Desta vez não.
Ela: Idiota. Por isso que eu te amo.
Ele: Pelo meu humor perspicaz, pelo meu talento engenhoso?
Ela: Porque você é burro mesmo...
Segunda-feira, Maio 03, 2004
Segundo Ato
Porque eu sou metido e acho que sei "poetar"
Suspende o segundo ato
transfere o instante fatal
pra cena que é, de fato,
o encontro principal
dos coadjuvantes natos
num palco de amor real.
Porém, mesmo distantes
mantém o contrato verbal
do tempo, este grande ingrato
que faz da saudade o prato
do amor de quem é mortal.
Quinta-feira, Abril 15, 2004
Saudade é Desconhecer...
Pensei em começar a crônica definindo a saudade numa imagem: a de um machado que executa, com feitio sádico, um castigado coração. Mas um golpe brusco, incisivo e seco seria uma espécie de alivio para o sujeito que sofre dessa agonia. A saudade seria, então, a tortura contínua das penetrações de milhares de agulhas numa carne cansada, preferivelmente, debaixo da unha. A dor é ininterrupta.
Palavra expressiva esta tal saudade - sua beleza situa-se na dor de quem sente a alma entrevada. Existente apenas na língua portuguesa usada no Brasil, a palavra expressa uma lembrança, suave e triste ao mesmo tempo, de um bem do qual se está privado. A saudade é um triste pesar, uma mágoa, uma nostalgia que se instala frente à ausência da pessoa querida.
Chico Buarque, na sua genialidade, definiu a dor da lembrança usando a imagem de um lugar comum: "a saudade é arrumar o quarto do filho que já morreu".
Porém, a saudade dolorida é a da pessoa que se ama. Sentir falta de um tempo distante, de lugares ou objetos, de situações, de animais, de conversas em grupo, da infância, da juventude, de festas e amigos pode gerar um sorriso nostálgico de quem já aproveitou e muito nessa vida. Diferentemente da lágrima que insiste em cair quando há uma distância entre duas pessoas que se amam: neste caso o sofrimento anuncia-se evidente.
No sujeito que sente saudades se instaura a velha cara de bobo-alegre que não significa nada além de uma comoção com qualquer eventualidade: até mesmo a imagem da avó tirando um naco do dedão, no momento de cortar as unhas do pé chega a ser tocante. A sensibilidade fica até mesmo redundante: ela se torna sensível - um beijo de novela lacrimeja os olhos e um abraço num comercial de margarina faz palpitar o coração do saudosista. Imagina o que um casal de pombos trepando na Discovery Channel seria capaz de causar aos nobres sentimentos do indivíduo: algum transtorno semelhante ao causado pela avó cortando as unhas.
O sofrimento do saudoso se explica pela falta da pele, do cheiro, da voz, do gosto. Da presença do outro. Falta também da ausência consentida: pois uma coisa seria ficar sem se encontrar por uns dias sabendo que, brevemente, esses momentos de carência cessarão. Outra, totalmente diferente, seria a certeza de que esta execrável distância nunca encurtará. Ou uma aproximação acontecerá num período futuro e distante.
A saudade dói por ser a falta de estar a par do que acontece com o outro. A falta de saber se o outro se encontra gripado, rindo, se comeu pizza ou miúdos, se foi ao cinema ou ao teatro. Permito-me fazer uma correção: a dor da saudade não é a "falta", e sim, a "necessidade" de saber se o outro continua tomando vinho antes de deitar ou mesmo se usa aquela camisa amarela horrível e a meia com um ursinho detestável.
Saudade é não saber. Desconhecer qualquer atividade prazerosa que ocupe a cabeça naqueles dias compridos. Qualquer atividade que lhe transforme o pensamento, além daquela de observar por trinta minutos o cachorro correndo atrás do próprio rabo, porque, sabe-se lá o motivo, isso lembra o sorriso da outra pessoa. O mesmo sorriso lembrado há uns minutos anteriores no instante em que a vovó cortava as unhas. A saudade é desconhecer qualquer maneira de vencer uma dor causada por um silencio que nada preenche, é um castigo dado, justamente, àquele que não deu a devida importância aos preciosos períodos em que os corpos se encontravam unidos, fazendo com que o sofredor se lembre de pequenos fatos que interiorizavam o cotidiano. Saudade não é nada além do ansioso desejo de querer sufocá-la até o precioso momento de sua morte, onde se encontra novamente o rumo de uma transtornada, mas valiosa, felicidade.
Quinta-feira, Março 25, 2004
Chega de Desculpas
Um capitulo por dia de Dom Casmurro. Quem ainda nao leu a obra do Machado, agora nada de inventar desculpas...
Me desculpem a falta de acentuaçao. Meu teclado desconfigurou-se e eu nao consegui arruma-lo. E tem mais, isso nao eh nenhuma desculpa.
Poder Cantar (Curitiba - 21/02/2004)
É bom poder cantar
Fazer o dia despertar
Ter a alma como lar.
Tão bom, saber voar
São asas que posso usar
apenas por poder cantar.
Cantar é reconhecer
Tudo que há pra dizer
Quando se canta uma dor
Transformando-a em amor
Fica mais simples viver.
Cantar pode ser fatal
Dizem espantar o mal
Desarma qualquer carranca
Quiçá um sorriso arranca
Um riso bem natural.
Quarta-feira, Março 24, 2004
Historiador recria cerveja a partir de fezes animais
O historiador britânico Merryn Dineley recriou uma cerveja aromatizada usando esterco animal e a colocou à venda. O feito se deu nas remotas ilhas Orkney (norte da Escócia).
Dineley, historiador da Universidade Manchester e coordenador da idéia, disse ontem ao jornal "The Observer" que a cerveja era "deliciosa". A bebida é fermentada em potes de barro que têm vestígios de fezes animais cozidas.
A cerveja foi desenvolvida a partir de uma receita usada em uma cervejaria descoberta por historiadores no arquipélago. Eles acreditam que a receita tenha 5.000 anos de idade.
Dineley encontrou o que seria um forno para grãos de malte no vilarejo neolítico de Skara Brae, nas Orkneys, e vestígios de álcool de cereais fermentado. A partir da descoberta, ele começou a trabalhar no projeto de reconstituição da cerveja.
Terça-feira, Março 23, 2004
Laudo Médico (Tiago Buckowsky - 20/07/2003)
Eu estava com uma terrível dor na mandíbula e fui procurar um médico, pois achei estranho acordar com aquela dor terrível e não ter recebido nenhuma pancada, nenhuma trombada, na região facial. A dor ainda persiste, mas está suportável. Me dói apenas quando abro ou fecho a mandíbula em demasia. Fiz exames, tirei uma série de radiografias para que o ortopedista - com quem me consutei - relatar com ar de gravidade enquanto arrumava os óculos no rosto:
- Não posso fazer nada. Sou ortopedista Vou te recomendar para um especialista. Um Buco Maxilo Facial.
- Um Buco o quê? Mas é grave doutor?
- Não sei. Um Buco Maxilo Facial pode analisar melhor o seu caso.
- Mas o que você viu pela radiografia?
- Você tem uma mínima irregularidade do contorno superior dos côndilos Mandibulares.
- O que é côndilo?
- Suas cavidades glenóides possuem um aspecto normal, mas é necessário verificar. Suas eminências temporais também estão normais.
- Eminências doutor? mas o que os cardeais tem a ver com meu problema?
- Mas além da irregularidade dos côndilos, a excursão é reduzida a manobra de boca aberta à direita quando comparada à esquerda.
- Doutor, estou com dores na mandíbula. Você vem me falar de cardeais, de Buco Maxilo sei lá o quê e além de tudo vou ter que fazer uma excursão? Que loucura é essa?
- Não posso fazer nada. Procure este médico.
Ele me deu um cartão. Era de um tal de Doutor Eiji Takagi: Especialista Buco Maxilo Facial. Além de tudo o cara é japonês...
Médicos e Advogados deveriam falar com seus clientes em uma linguagem menos assustadora. Fiquei apavorado e saí correndo do consultório. Quando criar coragem, vou marcar a consulta com o japonês. Tenho medo de entrar no consultório do Doutor Takagi e encontrar uma mesa com cinco cardeais sentados decidindo onde iriam me levar na próxima excursão. Mas meu maior medo é encontrar os eminentes cardeais e verificar que todos são japoneses. Assim eu surto...
Quinta-feira, Março 18, 2004
Três Corações
Um coração que não limita-se amar
Um outro único, quer mais, talvez um par
Perde os sentidos se um dos dois não suportar
Que ele visite outros peitos a se inundar
Em duas paixões
Tão diferentes
Que acha em um
Tudo que noutro
Anda ausente
Ou não há nenhum dos elementos que ele tanto anda a buscar
E não se importa se um dos dois se magoar.
A carne não suportaria o surgimento
Deste ciúme, das vaidades, complemento
E o coração volta a escolher apenas um
Aquele que melhor couber num bem comum.
Quinta-feira, Março 11, 2004
Oras Bolas !!!
Meu grande amigo Éder resolveu criar um segundo blog. Acontece que ele não se contentou em mantê-lo apenas com seus preciosos textos e resolveu me convidar para também escrever o Textículos Livres. Nossos textículos estão neste novo espaço: livres, leves e soltos, para serem devorados.
Mas vão com muito cuidado gente !!! Senão dói...
Segunda-feira, Março 08, 2004
GOSTOSA
O que estou vivendo é mais ou menos o que o Jorge Bem canta nesta música. A distância é menor que 36 horas de ônibus. Mas estou longe da minha gostosa. Beatriz, minha linda, estou com muitas saudades. Saudades até mesmo do carinho com que torcia meu braço, me dava uns tapas e me mordia. Te adoro
Gostosa
Ela é gostosa
O que está pegando
É que ela mora muito longe
Bem que minha mãe avisou
36 horas de ônibus e cassetadas
Pra ir e pra voltar
Fora o susto do arrastão
As curvas perigosas meu irmão
O ronco e o bafo da galera
Que eu tenho que aguentar na
madrugada
Um frio danado
Um pernilongo chato querendo
brincar
De avião nem pensar
Não tenho grana pra bancar
Essa ponte aérea caríssima
Assim não dá pra namorar
Assim não dá
Mas ela é gostosa
Bem que minha mãe avisou
Meu filho, cuidado com a conta do
telefone
Com o telefone grampeado meu filho
Cuidado com os deslizes da antena
parabólica
Ela resolve, mas complica
Se você bobear
alguém aplica
Será que vale a pena tanto
sacrifício
Será que vale a pena
tanto compromisso
Gostosa
Ela é gostosa.
Neste dia 08 de março, essa foi uma homenagem especial à minha mulher. Mas desejo felicidades a todas as mulheres. Não apenas no dia de hoje, mas também em todos os dias de todos os anos.
E a resposta é sim: sou exagerado mesmo... humpt !!!!
Quinta-feira, Março 04, 2004
Papo de Buteco
É por essas e outras que tenho orgulho dos amigos que fiz. Olha só o que o Éder teve a capacidade de compor. Genialidade é pouco...
Historiador: Garçom traga uma cerveja!
Físico: Na temperatura ideal...
Sociólogo: Uma bem desconhecida...
Filósofo: ???????
Historiador: Eu gosto de uma bem encorpada, como aquelas que se faziam na região da Bavária no Séc. XVIII.
Físico: Prá mim a cerveja deve ter uma temperatura que, calculada às condições ambientais, não não atinja um acréscimo de 3% enquanto se bebe..
Sociólgo: Na minha humilde opinião, o problema é a manipulação das grandes marcas, que abocanham o mercado a partir do crescimento que atingem com a exploração da mão de obra dos proletários, criando um mercado monopolizado e uma propaganda que inibe a liberdade de opinião do consumidor.
Filósofo: ????
Historiador: Meu caro amigo, você tem uma mentalidade atrasada, parece que vive na década de 20 na França.
Físico: No tempo em que Einstein era vivo.
Sociólogo: Esse Einstein é outro fruto da mídia capitalista, que supervaloriza o conhecimento científico em benefício de ideais mercantilistas.
Filósofo: ???????
Historiador: Garçom, Traz outra... Mudando de assunto, acho que o Corinthians anda meio baqueado... Mas os santos parece que voltou aos velhos tempos... Isso é uma história circular, onde os ciclos se repetem.
Físico: Caro colega, acredito que o tempo é uma estrutura linear formada por átomos uniformes, vê se para com essa idéia de tempo retornar... A verdade é que os atletas do Corinthians estão sentindo o peso da camisa...
Sociólogo: Na minha opinião, o futebol faz parte de uma estrutura estruturante que insere-se na tradição da cultura popular em benefício do mercado capitalista globalizado...
Filósofo: ???????
Historiador: Garçom, traz outra.... Tenho uma novidade, minha esposa comprou um vestido estilo anos 20.. Que beleza não?
Físico: E a combinação das cores, não gera nenhuma imperfeição ótica.
Sociólogo: Esse negócio de moda é fruto da manipulação dos grandes monopólios capitalistas..... etc...
Filósofo: Bua.. Bua... Bua...
Historiador: O que foi meu caro amigo??
Físico: Algum problema no condicinamento climático da sua cerveja??
Sociólogo: Problemas financeiros???
Filósofo: Bom a princípio, ric, eu estive avaliando a possibilidade epistemológica da cerveja ser inserida num plano teórico que abarca-se as posições de profissionais de diversas áreas.. ric, ric... Em seguida lembrei que o Einstein era um cientista de porte ontológico fundamental para o desenvolvimento do pensamento cintífico ocidenta ... ric, ric,...Mas no desenvolver dos atos discursivos, vocês tocaram em assuntos da mais fundamental desenrolar para o privativo entrinsecamento de minhas atividades cotidianas...
Historiador: Mas o que aconteceu então, porque choraste???
Físico: ???
Sociólogo: Já sei, você percebeu que eu estava certo quando falei da exploração dos proletários... etc..etc..etc...
Filósofo: Não, é que eu lembrei de uma coisa fundamental para o desenvolvimento, ric, das atitudes cotidianas do meu pensar onde o saber acerca da fundamentalidade do futebol na vida privada das pessoas...
Historiador: Já sei...
Físico: Eu tbem...
Sociólogo: O que??
Filósofo: Minha mulher anda me traindo com um jogador de futebol... e ele comprou um belo vestido prá ela... Bua. Bua...
Quinta-feira, Fevereiro 19, 2004
Atchim
Quanta poeira neste blog. Poeira e moscas. Mas enquanto eu estiver aqui em Curitiba, na casa da minha paixão, nada de posts novos !
Beijos e abraços a todos
Quarta-feira, Janeiro 21, 2004
O Labirinto Sexual das Freiras Lésbicas de Santo Amaro
Li outro dia, numa coluna da Folha de São Paulo, um texto interessante de um autor que não me lembro o nome. Este esquecimento faz com que qualquer coisa que eu escreva aqui tenha uma total falta de credibilidade. Não me importo. Se não quiserem acreditar, nada posso fazer.
O Colunista, que chamarei pelo singelo nome de Fulano, nos diz que em Santo Amaro existe um convento onde todas as terças-feiras há uma reunião de freiras. As devotas se confraternizam de maneira muito discreta, já que o assunto ali tratado é execrado pelos diferentes setores da sociedade. A desconhecida assembléia reunia 50 freiras lésbicas de diferentes regiões da cidade de São Paulo, onde havia um labirinto com proporções exorbitantes: ¿O Labirinto Sexual das Freiras Lésbicas de Santo Amaro¿.
Outra peculiaridade são as regras desse excêntrico clube eclesiástico:
1. As "lésbicas de hábito" não poderiam comentar, nem com Deus, sobre as coisas que ali dentro acontecia.
2. A mais idosa delas era a única que podia mandar e desmandar, expulsar ou convidar novas integrantes, que só ingressariam na fraternidade sendo mais nova do que todas as outras e quando uma delas tivesse seu atestado de óbito emitido.
Tendo como objetivo principal o aperfeiçoamento das técnicas que compõem a obtenção do orgasmo, as freiras se dividem sem critérios de escolha, 24 do lado direito e 24 ao lado esquerdo (sem trocadilhos com o jogo do bicho, por favor) do labirinto. A mais nova e a mais velha delas ficam no circulo central, se amando esmagadoramente. Começa a brincadeira e elas entram no labirinto. Quando a freira de um grupo encontra a de outro, pelos corredores, elas devem transar de maneira despudorada. Àquela que primeiro atingir o orgasmo está fora da disputa, tendo em vista o acúmulo de vigor que deve ser retido para a líder e a caloura. Ganha a competição o grupo que chegar com maior número de integrantes ao círculo central, tendo como prêmio uma suruba lésbica antológica.
Dia destes encontraram no labirinto uma velhinha, com 102 anos de idade. Era uma das antigas integrantes, dada como morta pelas outras. Ela nunca conseguiu sair dali depois do inesquecível orgasmo múltiplo que sentiu em 1974, o último de sua vida, que lhe deixou totalmente desnorteada. O abalo foi tão intenso que a pobre devota do Senhor nunca mais conseguiu se livrar daquelas paredes que a cercavam. Durante anos, viveu naquele lugar imundo comendo a carne dos ratos que habitavam o local e lambendo as úmidas paredes para suprir a necessidade da água. Quando foi achada, não foi possível conter a emoção. Uma das integrantes, a Irmã Nena, achou a anciã e saiu alarmando para o restante do grupo com um crucifixo em punho:
- Gente. A Irmã Acácia. Valha-me Deus. Crê em Deus Pai três vezes. Ai Senhor...
Todas as irmãs correram, ou pelo menos as que acharam o caminho entre as divisórias do labirinto, na direção dos gritos de desespero da velha Nena. Quando viram irmã Acácia, começaram a entoar louvores em afeição aos mortos. Uma das freiras abraçou a perdida, tascando-lhe um beijo daqueles em sua boca. O hálito podre da velha a fez vomitar. No cessar dos louvores, irmã Acácia foi questionada:
- Que faz aqui. Todas achávamos que a senhora havia morrido.
- Quê? Vocês me abandonaram aqui durante anos. Durante todo esse tempo eu ouvia gemidos, assim sabia que era terça-feira e me guiei no tempo desta forma. Tentava seguir o som, mas nunca achei nenhuma de vocês.
- Por que não gritou por socorro?
- Acha que essa minha voz rouca eu tenho a toa?
Dona Acácia começou a chorar, sentou-se num canto úmido e balbuciou, entre lágrimas, que tinha um ultimo pedido a fazer, pois estava velha e não tinha muitas esperanças em viver. Disse que sentiu muita solidão, nojo de si mesma por estar a tantos anos sem um bom banho e uma boa refeição apenas sobrevivendo pela fé que tinha em Deus, que é um bom pai para seus filhos.
- Que pedido é esse? - perguntou Irmã Neca, já refeita do susto inicial.
A velha fechou os olhos, deu um sorriso sem dentes e, abrindo as pernas enrugadas, implorou num tom solene:
- Pelo amor de nosso Senhor: alguém me dê uma bela chupada.
Terça-feira, Janeiro 13, 2004
Imprudente é Meu Coração
Hoje meu coração, sem saber como, deixou chateado um outro coração. Este outro está distante, mas nem por isso deixa de ser uma enorme porção, de grande importância, deste meu coraçãozinho. Então meu orgão propulsor do sangue que distribiu a paixão em minhas veias, também se chateou. Apenas por ter chateado aquele outro, que pertence à dona dos tais olhos azuis.
Então meu coração tomou uma decisão radical, que para muitos é tido como loucura, mas para ele é o que de melhor se há de fazer. Fugiu daqui do peito, e resolveu ser batizado. Nada muito excêntrico, nem muito chamativo. Pois meu coração apenas quer mostrar àquele outro a total impossibilidade de bater num ritmo diferente do seu. No batismo, ele resolveu que teria um nome de mulher. Não poderia ser qualquer nome, e sim, de uma mulher que é simplismente o motivo deste pobre coração continuar vivendo. Foi assim que meu coração ganhou o nome de BEATRIZ.
Vestibular
Crônica publicada no extinto Escolhido Por Musa Clio no dia 09 de Janeiro de 2003
Tivemos aqui em Londrina uma temporada de vestibular, o que faz com que a cidade fique um caos. Estudantes de todos os lugares do país procuram fazer prova para ingressar na UEL pelo motivo da prova ser relativamente fácil. A maioria de vestibulandos de fora da cidade é proveniente do estado de São Paulo. Os lucros com hotéis, pousadas ou pensões chegam a dobrar nesta temporada se comparado ao resto do ano. A cidade inteira ganha com isso: comércio, transporte, alimentação e várias outras formas de prestação de serviços.
Todos tem seus proveitos, com exceção de minha digníssima pessoa. Não ganho nada com esses futuros calouros aumentando a densidade demográfica da minha cidade num curto espaço de tempo. Antes que alguém me dirija palavras afrontosas, eu vou tentar me explicar.
Meu meio de transporte são meus pés e o ônibus. Uma voz de dentro do meu bolso me impede de comprar um carro. Quando tenho de me locomover a uma longa distância, o coletivo é a solução mais viável, visto minha imensa preguiça em caminhar. Porém, com tantas pessoas de outras cidades, os ônibus vivem lotados e nunca encontro um lugar onde possa me sentar. Tenho enorme preguiça de ficar em pé no lotação.
No terminal urbano, parada obrigatória para todos os circulares, as pessoas devem entrar pelo lado de trás pois estão com suas passagens pagas. Eu me encontrava no ônibus da linha 213, todos os lugares estavam ocupados e fazia um calor de agradar ao diabo, quando duas garotas entraram pela parte da frente. Deduzi que elas não eram de Londrina. Um rapaz que estava no lado de trás, chamou uma das garotas e perguntou de que cidade elas eram:
- Somos de Rio Branco, interior de São Paulo.
- Notei que são de fora. Apenas idosos entram pelo lado dianteiro do ônibus.
- Sério? Por quê ?
- Por não precisarem pagar a passagem.
O rapaz olhou a garota da cabeça aos pés. Elas vestiam blusinha curta, cinturinha de fora e decote à mostra. Eram lindas garotas adolescentes. Depois dessa análise na anatomia das garotas, ele falou:
- Pelo que vejo, vocês não são nem um pouco idosas
- Obrigada, você é muito gentil.
- Saiam e entrem pelo lado de trás, se não quiserem pagar outra passagem.
Elas fizeram o que lhes disse o rapaz. Entraram novamente no ônibus, desta vez pelo lado exato, e ficaram conversando animadamente. O papo não variava. Oscilava entre professores de cursinho e danceterias badaladas. E eu continuava em pé, Ouvindo aquelas baboseiras. Apenas me senti aliviado quando chegou meu ponto. Desci e fui espantar o calor com alguns amigos tomando uma cerveja gelada num barzinho onde alguns músicos tocam bossa nova.
Chegando a esse bar, que sempre freqüento, fiquei espantado. Meu bar estava lotado por um bando de gente que eu nunca havia visto. Eram vestibulandos que acham que entendem de samba depois de ouvirem duas ou três músicas do Paulinho da Viola.
Alguns amigos me esperavam, tomando cerveja e conversando, todos muito espantados com aquilo. Enchi meu copo, pedi uma Caipirinha e fui falar com Dona Cássia, a dona do bar. Ela estava felicíssima, faturando mais do que nunca havia faturado durante o ano. Mesmo assim ela me disse:
- Nessa época meu bar perde o costumeiro encanto.
- Verdade. Mas daqui três dias, tudo volta ao normal.
- Espero que o encanto volte e o movimento continue.
Fui para minha mesa, sentei, bebi e conversei, como faria em dias normais. Um amigo comentou comigo que, de uma coisa eu não posso reclamar nessa temporada. As vestibulandas dão um certo charme à cidade. Com suas formas e suas cinturinhas que vão pra lá e pra cá.
Sexta-feira, Janeiro 09, 2004
Regininha Apareceu No Ano Novo
- Regininha, o que você faz por aqui ?
- Feliz ano novo.
- Agora eu estou com sono. O ano novo é amanhã. Esse ano eu ainda quero dormir.
- Tudo bem. É assim que você me trata ?
- Você me esnobou o ano inteiro, me deixou escrevendo sozinho, e ainda me deixou todo animadinho.
- Mas...
- Quantos banhos de água fria tive que tomar. Quantas vezes fiquei aqui, acalmando o Doroteu (desculpe gente, mas esse é o nome com que me relaciono intimamente com o menino aqui de baixo) porque você tinha me deixado na mão, literalmente.
- Esse ano eu quero você Tiago. Inteirinho pra mim. Você, o Doroteu e todas suas palavras, suas vírgulas, suas exclamações e interrogações, suas reticências...
- Estou colocando um ponto final nessa história.
- Ponto final eu não quero. Te quero para o sempre. Quero seus parágrafos, suas frases, seus erros ortográficos...
- Então tira este vestidinho que eu quero teu assento.
- Eu também quero teu acento. O agudo, apontando pra cima.
- Eu quero esse que você usa pra sentar mesmo.
Regininha foi tirando o vestido, deixando deslizar pelo corpo até cair no chão, aos seus pés. No exato momento em que abria o fecho do sutiã, caio da cama e acordo. Tudo não passou de um sonho de véspera de ano novo. Em 2004 tudo será diferente.
Quinta-feira, Janeiro 08, 2004
A Mulher da Janela
Parada à janela da rua
ela derrama sua lágrima
cada gota, uma história
gemido de memória
feliz ou trágica.
uns braços envolvem consolo
abrigam-na tão vulnerável
fazendo-a chorar, segura
da lágrima, a mais pura
sente-se mais confortável.
Na doce friagem
a brisa se escandaliza
seu sonho profundo
forma a imagem ideal
formata-se na cor
do desejo teatral.
Na noite seguinte, acordada
sua sina continua
parada à janela da rua
ela derrama sua lágrima
cada gota, uma história
gemido de memória
feliz ou trágica.
Quarta-feira, Janeiro 07, 2004
De Perto Ninguém é Normal
Terça-feira, Janeiro 06, 2004
À Quem Interessar Possa
6º Concurso de Poesias "Poeta Nuno Alvaro Pereira"
Já estão abertas as inscrições para o 6º Concurso Nacional de Poesias "Poeta Nuno Alvaro Pereira". Autores de todo o país podem se inscrever, enviando até três trabalhos (duas vias de cada) em 30 versos no máximo, assinadas, com o número da carteira de identidade e órgão expedidor, profissão, endereço completo, telefone e data de nascimento. Os trabalhos devem ser datilografados em espaço dois, num só lado da folha, em duas vias e em disquete (se possível, em arquivo .txt). Os selecionados serão editados em regime de co-edição financeira e editorial no volume "Pérgula Literária Nº 6", da Valença Editora. Os trabalhos devem ser enviados pelos Correios até 31 de março de 2004 à Caixa Postal 24272 - Cep: 20522-970 - Tijuca - Rio de Janeiro - RJ. Mais informações: (21) 2568-4642.
Domingo, Janeiro 04, 2004
Bom Dia, Tristeza
(Adoniran Barbosa e Vinícius de Moraes)
Bom dia tristeza
Que tarde tristeza
Você veio hoje me ver
Já estava ficando até meio triste
De estar tanto tempo longe de você
Se chegue tristeza
Se sente comigo
Aqui nesta mesa de bar
Beba do meu copo
Me dê o seu ombro
Que é para eu chorar
Chorar de tristeza
Tristeza de amar
Meu ano começou triste. Com certeza é a saudade...
Quarta-feira, Dezembro 31, 2003
Meus Votos Para o Ano Novo
Fica difícil fugir de um tema quando ele é assunto no mundo todo. Mas já que hoje é o ultimo dia de 2003, me sinto obrigado a escrever sobre Reveillon. Quem me conhece sabe muito bem que não gosto de escrever por obrigação.
O primeiro dia do mês de janeiro é marcado por promessas. Daquelas em que a dieta será cumprida com rigor catedrático, das que envolve brigas entre casais ou familiares, das que se resolve suspender farra e sacanagem ou mesmo quando se decide que é o ano para parar de beber, parar de fumar, parar de ficar parado e agir de alguma maneira sobre determinada coisa. Ninguém nunca promete parar de prometer o impossível, pois se sabe que cumprir tal oferta é ato impraticável.
Prometemos as coisas irrefutavelmente:
- Ano que vem, vou começar um curso de redução de despesas capilares - pressagiou Angelina, protestante, possuidora de uma cabeleira longa que lhe cobria as nádegas.
- Existe isso? - pergunta uma conhecida.
- Uma cabeleireira francesa estará na cidade em fevereiro e vai ministrar algumas palestras. As inscrições custam R$530,00.
- Seria mais econômico cortar o cabelo.
Ano novo é sempre um tempo de usar da velha astúcia da razão para avaliar o que se fez, ou o que deixou de ser feito, no decorrer do último ano e programar a vida, este estado de atividade incessante, para os tempos de posteridade. Sendo assim, de nada adianta à promessa feita num estalo, por um motivo que surge na cabeça na mesma velocidade em que um palito de fósforo é riscado e inflamado.
Promessas são o caminho da transgressão. São feitas para serem violadas, postergadas. Se for de desejo profundo o cumprimento de novas metas no mais recente dos anos, é viável avaliar se os feitos passados foram realmente rendosos.
Não posso me queixar e muito menos venerar o ano de 2003. Foi um ano de muitas dúvidas, e muitas delas não cessaram. Ano em que aprendi a conhecer melhor as pessoas que me rodeiam. Isso foi de extremo valor, pois na minha inválida opinião, é admitindo o outro que conhecemos a nós mesmos.
Decepções tamanhas e alegrias imensas. Conheci mulheres maravilhosas. Algumas grandes amigas. Outras foram além da amizade.
Dinheiro pouco eu tive muito neste ano que passou voando na velocidade da luz. Foi o ano mais rápido da minha vida. Sei que os dias, todos eles, tem 24 horas. Mas a percepção temporal varia muito. Algumas horas passam na sensação de quinze minutinhos da mesma maneira que estes minutos podem levar séculos para findar. Tudo depende muito da ansiedade em que o tempo passa por nossa perceptibilidade.
Essa é a dialética do tempo. Com suas contrariedades que fazem a graça da existência. Se tudo fosse padronizado, uniformizado, a essência humana seria inexistente. Felicidades e decepções caminharam de mãos dadas neste ano. Assim também será em 2004, 2005, 2006 e todos os próximos anos, até que a moça de preto, àquela com a foice na mão, venha nos buscar. Tudo que podemos fazer é aspirar para que a vida seja mais justa nos próximos tempos. Almejar e buscar alguma forma de efetivação, de concretização de todo e qualquer desejo. Sem prenunciar o impraticável, sem promessas que sabemos que nunca poderão ser exercidas.
É bem melhor ter os pés no chão que, completando com uma pobre rima, obter decepção.
Domingo, Dezembro 28, 2003
Sinto Saudades
Vontade de estar onde não estou. Essa talvez seja esta a carência que conduz meus dedos sobre o teclado ao escrever tais palavras. Vontade de não estar aqui. Não pelo lugar, mas pelas pessoas.
Uma vontade louca de fazer alguma coisa sem ter nada pra fazer. Meu momento é de um Samba em Prelúdio. Sou um barco sem mar, um campo sem flor. Estou numa tristeza que vai e depois volta com a força de uma tijolada no peito, dada sem qualquer motivo.
Por isso gosto tanto de Vinícius de Moraes. Ninguém mais do que o velho poetinha teria a sensibilidade de descrever o vazio, sem usar a palavra vazio, com tanta beleza e perfeição. Sei que preciso daqueles braços novamente para me envolver da maneira que fui envolvido e transformar esse meu momento Samba em Prelúdio em um enredo de escola muito alegre.
Pois sei que sem aqueles braços, aquela boca, e toda a paixão que me envolveu, eu sei que não sou ninguém. Assim como um jardim não é nada sem o luar, e este nada é sem o amor. Vivo meu Samba em Prelúdio. Sei que neste momento, distante do calor daquela mulher, não sou ninguém.
Samba Em Prelúdio - Vinicius de Moraes
Eu sem você
Não tenho porquê
Porque sem você
Não sei nem chorar
Sou chama sem luz
Jardim sem luar
Luar sem amor
Amor sem se dar
Em sem você
Sou só desamor
Um barco sem mar
Um campo sem flor
Tristeza que vai
Tristeza que vem
Sem você, meu amor, eu não sou ninguém
Ah, que saudade
Que vontade de ver renascer nossa vida
Volta, querida
Os meus braços precisam dos teus
Teus braços precisam dos meus
Estou tão sozinho
Tenho os olhos cansados de olhar para o além
Vem ver a vida
Sem você, meu amor, eu não sou ninguém
Sem você meu amor, eu não sou ninguém
Sábado, Dezembro 27, 2003
Será Que Alguém Tem a Resposta ??
Por que é que eu não consigo parar de ouvir essa música ?? Será que minha prima, a própria Beatriz, poderia responder ????
Beatriz (Edu Lobo - Chico Buarque)
Olha
Será que ela é moça
Será que ela é triste
Será que é o contrário
Será que é pintura
O rosto da atriz
Se ela dança no sétimo céu
Se ela acredita que é outro país
E se ela só decora o seu papel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Olha
Será que é de louça
Será que é de éter
Será que é loucura
Será que é cenário
A casa da atriz
Se ela mora num arranha-céu
E se as paredes são feitas de giz
E se ela chora num quarto de hotel
E se eu pudesse entrar na sua vida
Sim, me leva para sempre, Beatriz
Me ensina a não andar com os pés no chão
Para sempre é sempre por um triz
Ai, diz quantos desastres tem na minha mão
Diz se é perigoso a gente ser feliz
Olha
Será que é uma estrela
Será que é mentira
Será que é comédia
Será que é divina
A vida da atriz
Se ela um dia despencar do céu
E se os pagantes exigirem bis
E se um arcanjo passar o chapéu
E se eu pudesse entrar na sua vida
Quinta-feira, Dezembro 18, 2003
Por Que as Pessoas Me Odeiam...
Momento Era O Que Faltava ou O Que Já Era De Se Esperar.
Nao adianta clicar, seu imbecil...
Nao coloquei Link algum na Imagen
Quarta-feira, Dezembro 17, 2003
Há Sentido em Alguma Coisa Nessa Vida ???
"Depois de te perder
Te encontro com certeza
Talvez no tempo da delicadeza.
Onde não diremos nada
Nada aconteceu.
Apenas seguirei
como encantado ao lado teu".
(Todo Sentimento - Chico Buarque)
Sim. hoje estou bobo, romântico, impossível, chato, ridículo, manhoso, flatulento (foram os ovos cozidos), inconsequente, preguiçoso, herege, erétil, tarado, mesquinho, fantasioso e impuro...
- E DAÍ ???
Terça-feira, Dezembro 16, 2003
Estou de Férias em Curitiba
Sem posts por tempo indeterminado
Que mensagem chata e formal. Sem graça. Mas não estou com tempo ...
Até Mais Ver !!!!!!!!!!!!!
Sexta-feira, Dezembro 12, 2003
Uma Boa Receita Para o Fim de Semana
Frango com wisky
É muito fácil de preparar. Não custa tentar.
Ingredientes:
01 Garrafa de Whisky (do bom, é claro!!)
01 Frango de aproximadamente 2 Kg
Sal, Pimenta e cheiro verde a gosto
350 ml de azeite extra virgem
500 g de bacon em fatias
Nozes moídas
Modo de Preparar:
Beba um copo de whisky
Envolver o frango no bacon e temperá-lo com sal,
pimenta cheiro verde a
gosto.
Massageá-lo com azeite.
Pré-aquecer o forno por aproximadamente 10 minutos.
Servir-se de uma boa dose (caprichada) de Whisky
enquanto aguarda.
Colocar o frango em uma assadeira grande.
Sirva-se de mais duas doses de Whisky.
Axustar o terbostato na marca 3, e debois de uns binte
binutos, botar para
assassinar. Digu, assar a ave.
Derrubar uma dose de Whisky bedois de beia hora, formar
a abertura e
controlar a sssadura do frango.
Tentar zentar na gadeira, servir-se de uooooootra dose
sarada de Whisky.
Cozer (?), costurar(?), cozinhar (?), sei lá, dane-se o
vrango.
Deixááá o filho da bãe no vorno por umas 4 horas.
Tentar retirar o vrango do vorno.
Mandar mais uma boa dose de Whisky prá dentro - de
você, é claro.
Tentar novamente tirar o sacana do vrango do vorno,
porque na primeira
eenndadiiiva dããão deeeeeeeuuuu.
Begar o vrango que gaiu no jão, e, enxugar o filho da
puta com o bano de
jão e cologá-lo numa pandeja ou qualquer outra borra,
bois, avinal, vc nem
gossssssssta muito dessa bosta mesmo.
Bronto
Quinta-feira, Dezembro 11, 2003
E o Mundo não se Acabou
Assis Valente
Anunciaram e garantiram que o mundo ia se acabar
Por causa disto a minha gente lá em casa começou a rezar
Até disseram que o sol ia nascer antes da madrugada
Por causa disto nesta noite lá no morro não se fez batucada
Acreditei nessa conversa mole
Pensei que o mundo ia se acabar
E fui tratando de me despedir
E sem demora fui tratando de aproveitar
Beijei a boca de quem não devia
Peguei na mão de quem não conhecia
Dancei um samba em traje de maiô
E o tal do mundo não se acabou
Peguei um gajo com quem não me dava
E perdoei a sua ingratidão
E festejando o acontecimento
Gastei com ele mais de quinhentão
Agora soube que o gajo anda
Dizendo coisa que não se passou
Ih, vai ter barulho e vai ter confusão
Porque o mundo não se acabou
Terça-feira, Dezembro 09, 2003
Eita Vida Besta, Meu Deus !!!!!!!
DIGO MAIS: VAGABUNDO É A MÃE. Humpt !!!!!!
Segunda-feira, Dezembro 08, 2003
Suplício
Trago no bolso um retrato
fingindo que não é seu
analisando o fato
do amor que se perdeu.
Trago na vida este risco
de pensar alto o que sei
e defendendo o meu fisco
transgredi a sua lei.
Minha palavra cortou
sua esperança de vida
botou um fim na vaidade
sem mágoa ou piedade
assim me tornei culpado
você se fez tão sentida
com o pescoço num cabo
demos cabo da tua vida.
Eu tinha dúvidas, na última frase, se colocava "Dei cabo da tua vida" ou "Deu cabo da tua vida". Uma letrinha trasfere o caráter de homicídio para suicídio. Resolvi conversar com meu amigo e poeta Juliano Scoponi para resolver esse dilema. Como o Demos foi dado (sem trocadilhos, por favor) por ele, faço justiça, dividindo a autoria do poema.
Fica a dúvida. Suicídio ou homicídio ???
Quinta-feira, Dezembro 04, 2003
Sempre o Mesmo
Próximo a minha casa tem uma praça e nela, uma igreja católica. Hoje, pela manhã, aproveitando o clima fresco, resolvi passear naquela área para admirar o brilho do sol entre os galhos das árvores. Sentei num dos bancos, acendi um cigarro e fiquei apreciando o vôo de um bem-te-vi. Do galho de uma mangueira, o pássaro que tudo vê deu um rasante ágil, pousando sobre a entrada da capela, onde havia um cartaz com os dizeres:
SOB A MESMA DIREÇÃO HÁ MAIS DE 2 MIL ANOS
Quarta-feira, Dezembro 03, 2003
Lucidez é Bom e Eu Gosto...
Muitas vezes me pergunto se mereço os amigos que tenho. A Priscilla Xavier, em seu último post, me deixou mais orgulhoso por possuir um sobrenome homônimo.
"(...)tive a oportunidade de visitar a magnífica exposição África, no Centro Cultural Banco do Brasil. Aconselho a todos quantos tiverem a oportunidade de visitá-la que não a perca. Mas saí da exposição com a convicção de que é um clichê colocar a África num só saco de gatos, como um país, veja bem, um país que é simplesmente um bolsão de miséria e atraso. Embora a exposição traga a arte africana e a coloque numa posição até um tanto romantizada, ela não deixa de colocar todos os países do continente africano como uma só coisa(...)"
"A exposição(...)ao mesmo tempo em que enaltece a cultura do continente, o subestima em sua diversidade(...)"
Essa menina, além de escrever maravilhosamente, nos ilumina. Sua lucidez e dialética faz com que um desejo imenso se desenvolva na cabeça do leitor: o do texto infindável.
Obrigado, Pitty. Agradeço apenas por você escrever.
Segunda-feira, Dezembro 01, 2003
Momento Ouço e Recomendo
Dueto - Chico Buarque
Consta nos astros, nos signos, nos búzios
Eu li num anúncio, eu vi no espelho, tá lá no evangelho, garantem os orixás
Serás o meu amor, serás a minha paz
Consta nos autos, nas bulas, nos dogmas
Eu fiz uma tese, eu li num tratado, está computado nos dados oficiais
Serás o meu amor, serás a minha paz
Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário nos contrariar
Mas se o destino insistir em nos separar
Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas
Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos
Profetas, sinopses, espelhos, conselhos
Se dane o evangelho e todos os orixás
Serás o meu amor, serás a minha paz
Consta na pauta, no Karma, na carne, passou na novela
Está no seguro, pixaram no muro, mandei fazer um cartaz
Serás o meu amor, serás a minha paz
Mas se a ciência provar o contrário, e se o calendário nos contrariar
Mas se o destino insistir em nos separar
Danem-se os astros, os autos, os signos, os dogmas
Os búzios, as bulas, anúncios, tratados, ciganas, projetos
Profetas, sinopses, espelhos, conselhos
Se dane o evangelho e todos os orixás
Serás o meu amor, serás amor a minha paz
Consta nos mapas, nos lábios, nos lápis...
Sexta-feira, Novembro 21, 2003
DESCULPAS
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